quinta-feira, novembro 09, 2006
Tesouros Artísticos e Patrimoniais de Alcácer: A Igreja de Palma
quinta-feira, outubro 05, 2006
Inauguração da Feira Nova de Outubro, com grande afluência de visitantes. Um breve olhar fotográfico
A origem desta feira não é muito clara em termos históricos. Durante a idade media, as feiras e os dias santos do calendário liturgico eram fundamentais para cimentar os laços de vizinhança e pertença das populações rurais do vastíssimo termo de Alcácer. Era nestas ocasiões que a população pagava os seus impostos, quase sempre em géneros.
Em relação à feira de Alcácer, sabemos que era famosa no século XV e que tinha um estatuto invejado na região Alentejana. Prova deste facto é a existencia de um registo de um capítulo especial apresentado às Cortes em 1439, que o regente D. Pedro reuniu em Lisboa. Pedia a cidade de Beja ao rei Afonso V que lhe fosse concedida autorização para fazer um feira franca " igual à que se fazia em Alcácer".(ver Chancelaria de D. Afonso V, Iv.2, fl. 4, pub. por Virgínia Rau. Feiras Medievais Portuguesas. Lisboa. 1982, página 148)
Cabe a todos nós dar o seu contributo para que a Feira mantenha o seu espirito e prestígio, que já tem mais de 500 anos, facto que não é muito comum no nosso país e que faz parte do nosso património cultural.
segunda-feira, outubro 02, 2006
Comentário a um texto de divulgação sobre Al-Qasr abu Danis/Alcácer do Sal
A titulo de curiosidade, dou conhecimento de um texto de divulgação sobre o passado islâmico da nossa cidade. Foi elaborado com base em informações que cedi à minha ex-colega do Serviço de Arqueologia Municipal de Palmela. Após uma análise ao texto, verifico que existem alguns erros de datação que eu aceito terem sido involuntários por parte de quem inserio os dados no site. Isso é visível quando atribuem o capitel visigodo/emiral do Castelo de Palmela como proveniente de Sesimbra.Existe uma afirmação que desculpa mas não concordo, quando referes que Alcácer teria sido inicialmente um ribat. Foi um ribat, mas isso efectivamente só surge após 844, por ordem do emir Abd al-Rahman II, na sequência dos ataques dos al-Manjus/Vikings na costa do Garb/Portugal. As escavações arqueológicas ocorridas no castelo de Alcácer, demonstraram a existencia de uma ocupação desde a fase visigótica com continuidade no século VIII, quando Alcácer fazia parte do Califado Omieda de Damasco e que já tive ocasião de publicar. Uma data que está incorrecta é a de 915. De facto, Ibn Hayyan fala da presença de Mas´ud b. Abi Danis em Alcácer, mas em 875-876/262 H, após este ter sido derrotado em Coimbra por Sa´dun al-Surunbaqi. Em 929 são confirmados pelo Califa Abd al-Rahman III dois governadores: - Yahya b. Abi Danis para Alcácer e Abd Allah b. Umar b. Abi Danis para a região litoral do Sahil de al-Qasr, com sede provável em Balmalla/Palmela. (Castelo dependente de Alcácer). Existem depois outras questões em que não estamos de acordo, mas não faço comentários porque tratam-se de leituras legitimas com base na informação disponível.
domingo, outubro 01, 2006
A Cisterna Romana de Salacia Vrbs Imperatoria: A cerimónia evocativa II parte
O senhor Fernando Gomes a falar dos trabalhos arqueológicos que dirigiu no local em 1983
A senhora Vereadora a ler perante os presentes, o texto que foi acompanhar a caixa, que contem simbolicamente a primeira pedra. Segundo a Dr ª Isabel Vicente, trata-se de uma cerimónia romana para garantir a boa sorte das divindades protectoras do lugar e que em termos de simbologia foi recuperada em memória do Dr. João Faria, grande entusiasta do passado romano da sua querida Salacia Vrbs Imperatoria, que nas longas conversas que tinhamos, frizava sempre o seu explendor Alto Imperial e da sua penalização por se ter metido na guerra civil romana, no final da Fase Republicana. A caixa para além do texto que foi tornado publico e que se destina a ser testemunha da cerimónia para memória futura, contem uma replica de uma galinha, uma moeda de 1 euro e uma taça de cerâmica. |
quinta-feira, setembro 21, 2006
terça-feira, setembro 19, 2006
sábado, setembro 16, 2006
Jupiter-Amon em Alcácer do Sal
quarta-feira, agosto 30, 2006
Foz do rio Sado, segunda parte
A foz do Nahr Abu Danis/Rio de Alcácer, actual Rio Sado
terça-feira, agosto 29, 2006
A fronteira norte do taghr almoada de Alcácer entre 1191 a 1200
quarta-feira, agosto 16, 2006
Um fragmento do "Paraiso" junto a Alcácer
sexta-feira, agosto 11, 2006
Algumas reflexões sobre Santa Catarina em contexto Pós-Romano
António Rafael Carvalho. A escavação arqueológica na villa romana, apesar da escassa área intervencionada, foi importante ao revelar uma imponente estrutura habitacional e artesanal do período romano, revelando aspectos íntimos de um quotidiano de vários séculos, que teima em permanecer escondido. Se por um lado, a arquitectura exumadas superou as expectativas mais optimistas, em relação ao espólio cerâmico, ele é significativo, mas é insuficiente para consolidar leituras sobre a evolução cronológica do edifício. Apesar de tudo, confirmou-se a origem da villa em contexto Alto Imperial e o seu abandono num contexto pouco claro, que neste momento apontamos para a Fase Visigótica/Emiral. De facto, os dados disponíveis parecem sugerir que é em meados do século VIII, quando se dá a instalação do representante oficial do califado Omieda de Damasco na cidade de Pax Yulia/Beja[1], transformada foneticamente em Baja[2], que se dá o aparente abandono[3] da ocupação romana de Santa Catarina. Contudo será em meados do século XIII, em 1247 que aparece uma referência à igreja de Sítimos. Trata-se de um período algo complicado para os interesses da Ordem de Santiago no Baixo Sado, coincidindo com a instabilidade política provocada pela guerra civil entre os apoiantes de D. Sancho II e o futuro D. Afonso III. A aldeia de Sítimos aparece nesta altura como o garante do termo de Alcácer, evitando a expansão territorial do Concelho do Torrão, que terá sido desmembrado de Alcácer alguns anos antes. Nesta perspectiva, Sítimos com a sua igreja, vai servir de centro administrativo e receptor de impostos, de um amplo território rural, de povoamento muito disperso, mas vital para os interesses económicos dos alcacerenses. De momento não sabemos a razão que levou a consagração da igreja a Santa Catarina, Mártir Virgem de Alexandria[4]. O único elemento que deduzimos da análise documental deste período é a existência de uma hierarquia de santos que tem uma tradução directa com a importância das cidades ou castelos conquistados. De facto verificamos que a igreja mais importante de uma cidade ou castelo islâmico recém conquisto e que seja escolhido para sede de um território/termo é quase sempre dedicado a Santa Maria. As outras igrejas fundadas são dedicadas a S. Pedro ou Santiago, se ficarem em espaço peri-urbano. Uma excepção a esta regra é o Santuário de Nossa Senhora dos Mártires, que poderá ter sido uma rabita/musalla antes da conquista cristã de Alcácer. Para o século XIII, temos a referencia a Santa Maria de Cabrela, que ficou autónoma de Alcácer pouco depois de 1220. As únicas aldeias referenciadas nesse século, mas de fundação anterior é Sítimos em 1247 (evitando a expansão territorial do termo do Torrão para ocidente) e Palma em 1250 (evitando a alargamento do termo de Cabrela para sul). Tanto no caso de Sítimos, dedicado a Santa Catarina como em Palma, dedicado a São João Baptista[5], estamos em presença de mártires dos primórdios do cristianismo. Que significado tiveram esses santos nesse longínquo século XIII? É importante efectuar uma investigação aprofundada sobre as razões que levaram as autoridades eclesiásticas e o povo a escolherem um santo em detrimento de outro, investigação essa, que sai do âmbito deste blog. Curiosamente a comunidade cristã em Santa Catarina de Sítimos construiu a sua igreja sobre estruturas romanas da villa aí existente e a aldeia medieval parece que se estendeu no perímetro exterior à ocupação romana. É essa presença cristã medieval que chega aos nossos dias e que vai utilizar as estruturas romanas como pedreira para a construção de casas, sendo curioso o micro topónimo da villa romana – Pedrão. ____________________________________________________________________________________________________________ [1] Trata-se de Abd al-Jabbar Ibn Awf Ibn abi-Salama al-Zuhri, general do ahl/exército de Musa Ibn Nuzayr, que foi nomeado por Abd al-Aziz.(Carvalho, Faria e Ferreira, 2004. Alcácer do Sal Islâmica, página 43) [2] Baja é a adaptação em árabe da palavra latina Pax. A língua árabe não tem o som P, sendo este substituído quase sempre pelo B. Um bom exemplo em sentido contrário é o que terá ocorrido com a palavra árabe Bayt al-Mal (Casa do Tesouro/Casa da Moeda/Bem publico ou Território do Estado Central). Essa palavra pode ter entrado na língua portuguesa transformando-se em Pay´ma, dando origem ao topónimo Palma, localidade a norte de Alcácer e que vem referenciada num documento da Ordem de Santiago datado de 1250. [3] Os dados actualmente disponíveis não autorizam a supor um abandono total deste território após a anexação da Civitas de Salacia ao Califado Omieda de Damasco. É provável que tenha ficado nas imediações alguns casais agrícolas. Também importa explicar a existência de uma fossa com cerâmicas islâmicas do século X, que foi identificada no compartimento do “santuário”. Esse dado documental indica uma presença islâmica em Santa Catarina, ainda de natureza pouco clara, porque não sabemos se corresponde a um casal/rahal ou a uma al Day´a/aldeia localizada algures na zona. [4] Esta santa cristã, sofreu o seu martírio no reinado do Imperador Diocleciano (final do Século III d. C.). O conjunto monástico de Santa Catarina do Monte Sinai/Egipto foi-lhe consagrada já em contexto Proto-Bizantino, em meados do século VI. Após a conquista árabe do Mirs/Egipto, a comunidade cristã aí residente foi respeitada, desde que pagasse os seus impostos. [5] No caso de Palma e tendo em conta a falta de documentação, partimos do pressuposto que a igreja terá sido consagrada desde o século XIII a São João Baptista. |
sábado, julho 29, 2006
O ultimo dia de escavação na Villa Romana de Santa Catarina
A escavação arqueológica em Santa Catarina chegou ao fim desta primeira fase. A segunda etapa com inicio no mês de Agosto será para concluir os desenhos de campo. A terceira fase é para a efectuar o relatório da campanha de 2006. Entretanto iremos apresentar ainda este ano num encontro internacional de arqueologia os primeiros resultados da presente campanha.
Entretanto o blog vai de férias e depois irei regressar com algumas novidades.... até lá boas férias ou bom trabalho para os meus estimados amigos, colegas, conhecidos ou curiosos que consultam este blog.



























































