quarta-feira, agosto 30, 2006
A foz do Nahr Abu Danis/Rio de Alcácer, actual Rio Sado
terça-feira, agosto 29, 2006
A fronteira norte do taghr almoada de Alcácer entre 1191 a 1200
quarta-feira, agosto 16, 2006
Um fragmento do "Paraiso" junto a Alcácer
sexta-feira, agosto 11, 2006
Algumas reflexões sobre Santa Catarina em contexto Pós-Romano
António Rafael Carvalho. A escavação arqueológica na villa romana, apesar da escassa área intervencionada, foi importante ao revelar uma imponente estrutura habitacional e artesanal do período romano, revelando aspectos íntimos de um quotidiano de vários séculos, que teima em permanecer escondido. Se por um lado, a arquitectura exumadas superou as expectativas mais optimistas, em relação ao espólio cerâmico, ele é significativo, mas é insuficiente para consolidar leituras sobre a evolução cronológica do edifício. Apesar de tudo, confirmou-se a origem da villa em contexto Alto Imperial e o seu abandono num contexto pouco claro, que neste momento apontamos para a Fase Visigótica/Emiral. De facto, os dados disponíveis parecem sugerir que é em meados do século VIII, quando se dá a instalação do representante oficial do califado Omieda de Damasco na cidade de Pax Yulia/Beja[1], transformada foneticamente em Baja[2], que se dá o aparente abandono[3] da ocupação romana de Santa Catarina. Contudo será em meados do século XIII, em 1247 que aparece uma referência à igreja de Sítimos. Trata-se de um período algo complicado para os interesses da Ordem de Santiago no Baixo Sado, coincidindo com a instabilidade política provocada pela guerra civil entre os apoiantes de D. Sancho II e o futuro D. Afonso III. A aldeia de Sítimos aparece nesta altura como o garante do termo de Alcácer, evitando a expansão territorial do Concelho do Torrão, que terá sido desmembrado de Alcácer alguns anos antes. Nesta perspectiva, Sítimos com a sua igreja, vai servir de centro administrativo e receptor de impostos, de um amplo território rural, de povoamento muito disperso, mas vital para os interesses económicos dos alcacerenses. De momento não sabemos a razão que levou a consagração da igreja a Santa Catarina, Mártir Virgem de Alexandria[4]. O único elemento que deduzimos da análise documental deste período é a existência de uma hierarquia de santos que tem uma tradução directa com a importância das cidades ou castelos conquistados. De facto verificamos que a igreja mais importante de uma cidade ou castelo islâmico recém conquisto e que seja escolhido para sede de um território/termo é quase sempre dedicado a Santa Maria. As outras igrejas fundadas são dedicadas a S. Pedro ou Santiago, se ficarem em espaço peri-urbano. Uma excepção a esta regra é o Santuário de Nossa Senhora dos Mártires, que poderá ter sido uma rabita/musalla antes da conquista cristã de Alcácer. Para o século XIII, temos a referencia a Santa Maria de Cabrela, que ficou autónoma de Alcácer pouco depois de 1220. As únicas aldeias referenciadas nesse século, mas de fundação anterior é Sítimos em 1247 (evitando a expansão territorial do termo do Torrão para ocidente) e Palma em 1250 (evitando a alargamento do termo de Cabrela para sul). Tanto no caso de Sítimos, dedicado a Santa Catarina como em Palma, dedicado a São João Baptista[5], estamos em presença de mártires dos primórdios do cristianismo. Que significado tiveram esses santos nesse longínquo século XIII? É importante efectuar uma investigação aprofundada sobre as razões que levaram as autoridades eclesiásticas e o povo a escolherem um santo em detrimento de outro, investigação essa, que sai do âmbito deste blog. Curiosamente a comunidade cristã em Santa Catarina de Sítimos construiu a sua igreja sobre estruturas romanas da villa aí existente e a aldeia medieval parece que se estendeu no perímetro exterior à ocupação romana. É essa presença cristã medieval que chega aos nossos dias e que vai utilizar as estruturas romanas como pedreira para a construção de casas, sendo curioso o micro topónimo da villa romana – Pedrão. ____________________________________________________________________________________________________________ [1] Trata-se de Abd al-Jabbar Ibn Awf Ibn abi-Salama al-Zuhri, general do ahl/exército de Musa Ibn Nuzayr, que foi nomeado por Abd al-Aziz.(Carvalho, Faria e Ferreira, 2004. Alcácer do Sal Islâmica, página 43) [2] Baja é a adaptação em árabe da palavra latina Pax. A língua árabe não tem o som P, sendo este substituído quase sempre pelo B. Um bom exemplo em sentido contrário é o que terá ocorrido com a palavra árabe Bayt al-Mal (Casa do Tesouro/Casa da Moeda/Bem publico ou Território do Estado Central). Essa palavra pode ter entrado na língua portuguesa transformando-se em Pay´ma, dando origem ao topónimo Palma, localidade a norte de Alcácer e que vem referenciada num documento da Ordem de Santiago datado de 1250. [3] Os dados actualmente disponíveis não autorizam a supor um abandono total deste território após a anexação da Civitas de Salacia ao Califado Omieda de Damasco. É provável que tenha ficado nas imediações alguns casais agrícolas. Também importa explicar a existência de uma fossa com cerâmicas islâmicas do século X, que foi identificada no compartimento do “santuário”. Esse dado documental indica uma presença islâmica em Santa Catarina, ainda de natureza pouco clara, porque não sabemos se corresponde a um casal/rahal ou a uma al Day´a/aldeia localizada algures na zona. [4] Esta santa cristã, sofreu o seu martírio no reinado do Imperador Diocleciano (final do Século III d. C.). O conjunto monástico de Santa Catarina do Monte Sinai/Egipto foi-lhe consagrada já em contexto Proto-Bizantino, em meados do século VI. Após a conquista árabe do Mirs/Egipto, a comunidade cristã aí residente foi respeitada, desde que pagasse os seus impostos. [5] No caso de Palma e tendo em conta a falta de documentação, partimos do pressuposto que a igreja terá sido consagrada desde o século XIII a São João Baptista. |
sábado, julho 29, 2006
O ultimo dia de escavação na Villa Romana de Santa Catarina
A escavação arqueológica em Santa Catarina chegou ao fim desta primeira fase. A segunda etapa com inicio no mês de Agosto será para concluir os desenhos de campo. A terceira fase é para a efectuar o relatório da campanha de 2006. Entretanto iremos apresentar ainda este ano num encontro internacional de arqueologia os primeiros resultados da presente campanha.
Entretanto o blog vai de férias e depois irei regressar com algumas novidades.... até lá boas férias ou bom trabalho para os meus estimados amigos, colegas, conhecidos ou curiosos que consultam este blog.
domingo, julho 23, 2006
Breve Glossário de termos Latinos ligados às Termas Romanas
O que apresentamos é unicamente uma tradução simples de algumas palavras latinas usadas nos complexos termais ao longo do Império Romano, tanto em meio urbano como rural. Alguns autores podem não concordar com alguma proposta aqui apresentada. Para alguns termos de significado duvidoso, preferimos não apresentar nenhuma tradução.
Aliptes - massagista
Apodyterium – Quarto para mudar de roupa
Aquarium – Homem ligado á manutenção da água
Balnea gratuita – Banho livre
Balneator – "Homem dos banhos", aquele que às vezes mandavam edificar novas termas.
Balneum (balnea) – Casa das termas que geralmente estavam ricamente decoradas .
Caldarium – Compartimento quente
Calida piscina – Piscina de água quente
Capsarius – Escravo das termas que vigiava os frequentadores das termas
Collyrium – Caixa de unguentarios
Curator aquarum – Encarregado da qualidade da água
Destrictarium –
Destrictatia –
Exedae – Compartimento para relaxar
Fornacatores –
Frigidarium – Compartimento frio com piscina de água fria.
Hypocaust – Local onde ficavam as brazas que aqueciam o conjunto termal.
Latraliptae – Médico massagista.
Instrumenta balnei – Utensílios próprio dos conjuntos termais.
Laconium – Quarto para transpirar
Natatio – Piscina de ar livre
Palaestra – Pátio para exercício físico.
Pensilia balnea – Tanques para usos terapêuticos
Perfusores – Derramar água
Praefurnium – Sala da fornalha
Solium – A acalorada comunidade das termas
Tepidarium – Compartimento quente
Therma (Thermae) – Complexo de banhos
O significado da palavra latina " Natatio"
A palavra natatio quer dizer natação e tambem designa o lugar onde se pode nadar. É desta palavra que deriva a nossa palavra natação e nadar. Tambem o latim tem outros termos a ele ligado como por exemplo: - Natator - Nadador - Natatorius - Que serve para nadar - Natatoria - Lugar onde se nada. Geralmente as piscinas estão associadas à area termal, seja em contexto urbano ou rural das villae. Noutros casos, estas estruturas estão associadas a santuários onde os crentes eram iniciados nos "mistérios" rituais do culto em causa, seja no caso da Deusa Venus, ou de outra divindade. Ainda é prematuro avançar uma hipotese sobre a função deste espaço em Santa Catarina, porque a área escavada ainda é insuficiente. De facto a presença de um compartimento onde foram ministrados cultos a uma divindade, provavelmente a Venus, ao lado desta piscina e o não aparecimento de compartimentos ligados às termas parecem associar este espaço ao culto pagão, contudo e como já referi ainda é prematuro avançar uma hipotese. |

















































