sábado, julho 08, 2006
A visita da Srª Vereadora da Cultura, Drª Isabel Cristina Vicente, à Villa Romana de Santa Catarina
No passado dia 7 de Julho (6ª feira) tivemos a agradável visita de trabalho da Senhora Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Alcácer, que veio inteirar-se in loco dos trabalhos em curso na Villa Romana de Santa Catarina e que se fez acompanhar pela sua secretária, a Senhora D. Rita. Apresentamos uma resenha dos principais resultados cientificos já obtidos e explicamos detalhadamente as funções das estruturas identificadas, com especial atenção no sector onde apareceu um santuário pagão do Alto Império e uma piscina de cronologia do inicio do Baixo Império.
Em seguida e após conclusão dos trabalhos de campo, a equipa de arqueologia de Santa Catarina convidou a Senhora Vereadora a vir almoçar, o qual foi aceite. Entretanto tambem chegou o Sr. Vice Presidente da Câmara Municipal, Dr. João Massano, acompanhado com o Sr. Presidente da Junta de Freguesia do Torrão, Sr. Décio Fava. Dirigimo-nos para o Café Panoias e aí ficamos em animado convivio até à chegada de uma equipa da RTP, que vinha filmar os trabalhos arqueológicos em curso.
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Villa Romana Santa Catarina
sábado, julho 01, 2006
A escavação de Santa Catarina têm sido impressionante porque....
Se os trabalhos arqueológicos em curso na villa romana de Santa Catarina têm na opinião de vários alcacerenses, revelado um manancial de dados muito importante, inconturnáveis para o estudo da presença romana em Alcácer e revelado fortes indicios de que estaremos perante uma das ocupações romanas mais significativas do nosso concelho, com fortes "potencialidades" para se criar uma "mini conimbriga", essa realidade só têm sido possível porque foram reunidas um conjunto de vontades e instituições que importa referir e agradecer publicamente:
- Este trabalho não seria possível sem o apoio e constante estimulo dado pelo actual executivo camarário alcacerense, que vêm do tempo do Vereador João Faria e que foi mantido.
- Importa realçar e valorizar a importante ligação de colaboração entre o Serviço de Arqueologia da Câmara Municipal de Alcácer e a Junta de Freguesia de Santiago.
- Estão de parabens a fantástica equipa de trabalho de campo composta por senhores de Santa Catarina, Barrozinha e Alcácer.
- Uma palavra de agradecimento e reconhecimento aos jovens voluntários de Alcácer e Comporta, que dentro dos possíveis têm feito um esforço enorme para aparecerem e colaborarem conosco nos trabalhos em curso. Sem a sua presença o trabalho seria diferente....
Estamos a aguardar a presença de mais voluntários para o mês de Julho.
Por ultimo uma conclusão obvia - Os achados têm sido importantes porque os arquitectos romanos que idealizaram esta villa e a foram edificando e recuperando ao longo de pelo menos 5 séculos, eram arquitectos muito bons para a época, que se apoiaram em trabalhadores competentes e os seus proprietários estariam ao corrente das normas usuais da época que eram veiculadas pelos maiores especialistas romanos, como Marcial, Catón, Plinio, Vitruvio entre outros.
Por exemplo Vitruvio (VI, 6, 5) escreveu - Si quod delicatius in villis faciundum fuerit, ex symmetriis quae in urbanis supra scripta sunt constituta, ita struantur, uti sine impeditione rusticae utilitatis aedificentur: (numa tradução livre - Se (o proprietário) quizer fazer algo mais elegante nas suas villae, deve seguir as normas da simetria que são usadas nas edificações da cidade, se bem que deve construir sem dificultar as necessidades da (actividade) agricultura. (a simetria parece existir em Santa Catarina...)
Por exemplo Catón escreveu (VI, 1) - Villam urbanam pro copia aedificato. In bono praedio si bene posiueris, ruri si recte habitaueris, libentius et saepius venies, fundus melior erit: (numa tradução livre ) - A villa urbana (a parte onde vive o proprietário e a sua familia) deve ser edificada de acordo com a fortuna (com sentido de sorte, associado a bom gosto, sensiblidade e poesia). Se a exploração agricula próspera dispõe de boas construções, com boa implantação (arquitectónica) e se (as pessoas) vivem com gosto no campo, cuidando com estima e cuidado (tudo em sua volta), o fundus (propriedade) ganhará em qualidade.
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quinta-feira, junho 29, 2006
quarta-feira, junho 28, 2006
Visita de colegas arqueólogos às escavações de Santa Catarina
Apesar da area já intervencionada e das interessantes estruturas identificadas, o compartimento que despertou mais interesse foi este, que se localiza ao lado de uma grande piscina em opus...
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domingo, junho 25, 2006
Santa Catarina vai revelando os seu segredos mais intimos


Disco de lucerna de meados do seculo I/II d.C. Contêm a representação de uma divindade femenina coberta por uma túnica, numa posição sensual, segurando algo na mão (difícil leitura). Segundo os dados disponíveis é provável que seja a representação da deusa Venus, a queimar incenso num altar que contêm um thymiatterium
Na foto ao lado, imagem do compartimento onde apareceu este disco de lucerna ainda em fase de escavação.
A escavação arqueológica na villa romana vai prosseguindo no seu ritmo normal.
Até ao momento já identificamos um conjunto arquitectónico de invulgar qualidade e desenvolvimento espacial, o que permite verificar que estamos perante uma villa romana importante, que terá sido construida em meados do século I depois de Cristo.
Se por um lado os dados disponíveis permitem supor que a villa romana terá sido abandonada em meados dos séculos V/VI, isso não significa que o espaço tenha sido " desactivada " nessa altura. Algumas escassas cerâmicas sugerem uma presença humana em finais do periodo visigótico e inicios da ocupação islâmica, meados do século VIII.
Nesta campanha já apareceu um fragmento de bordo de panela islâmica de meados do século X/XI. num outro sector identificamos uma bolsa que continha alguns fragmentos de cerâmica portuguesa do século XIV, inicios do século XV.
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quarta-feira, junho 21, 2006
Visita de arqueólogos amigos do Vereador João Faria em Santa Catarina
Analise das estruturas em opus encontradas neste sector
Analizando um fragmento de sigillata Hispanica de Andujar
Falando de arqueologia, escavações,publicações, projectos, enfim daquilo que gostamos.....
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João Carlos Faria,
Villa Romana Santa Catarina
sábado, junho 17, 2006
Estamos de luto pela morte do nosso amigo João Faria
Foi com surpresa e um grande choque que tivemos a notícia da morte repentina do nosso estimado amigo, colega arqueólogo e actual Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Alcácer do Sal.
Peço desculpa mas não consigo escrever muito por agora, dada a situação, mas vou tentar...
Eu conheci o João Faria pela primeira vez à 25 anos atrás, quando em Setembro de 1980 participei pela primeira vez numa escavação arqueológica (Castelo de Alcácer do Sal - Depósito, direcção cientifica de Carlos Tavares da Silva). Na altura ele e eu eramos estudantes do secundário, mas ele já sabia imenso de arqueologia romana. Lembro-me como se fosse hoje que ele pediu-me para eu ir para o crivo, para recolher cerâmica romana, especialmente a terra sigilata. Eu só lhe disse - o quê? sigi quê?.... E como é que eu conheço a cerâmica?..... para mim é tudo igual.
Ele disse- Têm calma que passado alguns dias vais conhecendo os materiais.
Desde essa altura fiquei a gostar de Alcácer, mas por questões profissionais fui trabalhar para Palmela onde estive 17 anos a trabalhar em arqueologia. Nunca deixei Alcácer e com a ajuda dele fui publicando alguns trabalhos e um livro, tendo-me dedicado ao estudo do periodo islâmico.
Entretanto e ao fim de 25 anos, houve situações que mudaram e ele convidou-me para vir trabalhar para o Gabinete de Arqueologia de Alcácer. Não me esqueço de ele me ter dito que seria uma mudança para sempre.
Entretanto começamos a escavação da vila romana de Santa Catarina de Sítimos que tinha sido o seu primeiro trabalho de direcção arqueológica em 1986. Ele gostava imenso deste arqueossítio e queria por tudo levar o projecto em frente e criar um nucleo museológico impar nesta região. Quase todos os dias de manhã vinha até cá para ver as novidades arqueológicas e falarmos sobre as novidades arqueológicas. O seu grande sonho era encontrarmos um painel de mosaicos.
Estimado amigo vamos continuar este projecto e outros e vamos sentir muito a tua falta. Como têm dito alguns colegas e amigos, morreu o João Carlos Lázaro Faria e nós um pouco mais.
António Rafael Carvalho, Fernando Jerónimo, Vitor Cardim e José Paulo.
( Equipa de Arqueologia da Câmara Municipal de Alcácer)
Transcrição de algumas mensagens de colegas e amigos do nosso João Faria, que têm circulado pela internet.
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Infelizmente, no espaço de 15 dias morreram-nos dois colegas e amigos.Morreu o João Carlos Lázaro Fariae nós mais um pouco com ele.Laura Trindade e Dias Diogo
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Como já Laura Trindade teve ocasião de noticiar, acaba de falecer, em Reguengos, onde estava a passar o fim-de-semana com a família, vitimado - segundo tudo leva a crer - por um ataque cardíaco fulminante, Mestre João Carlos Lázaro Faria, arqueólogo e actual vereador do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Alcácer do Sal.
À sua esposa, Marisol Aires Ferreira, também ela arqueóloga (a trabalhar na Câmara de Grândola) e a seus dois filhos (Duarte, de 18 anos, e Susana, de 14) apresentamos as mais sentidas condolências.
A notícia deixa natural e profundamente consternada a comunidade arqueológica nacional que, em tão curto espaço de tempo, vê desaparecer do seu seio figuras que, cada uma à sua maneira, eram uma referência de renome.
João Carlos Lázaro Faria (o «João Alentejano», como era conhecido pelos seus condiscípulos e professores) nascera em Alcácer do Sal a 4 de Junho de 1960. Licenciou-se em História (variante de Arqueologia) na Faculdade de Letras de Coimbra (1985) e fez o Mestrado em Arqueologia Romana na Faculdade de Letras do Porto, em 1998, tendo aí defendido com brilhantismo a dissertação Subsídios para o Estudo da Romanização no Curso Inferior do Rio Sado.
Exerceu sempre grande actividade em prol da cultura em Alcácer do Sal, tendo ocupado, a partir de 1985, o cargo de Conservador do Museu Municipal. Nesse concelho realizou inúmeras intervenções arqueológicas, cujos resultados sempre foi publicando, nomeadamente nas páginas da revista Conimbriga.
A sua obra de vulto mais recente foi o livro Alcácer do Sal ao Tempo dos Romanos (edição conjunta da Câmara e da Colibri, Maio de 2002). Um dos achados mais importantes da sua carreira terá sido, sem dúvida, a tabella defixionis exumada durante as escavações que dirigiu no santuário de Alcácer do Sal, cujo estudo tive a honra de assinar com ele para o catálogo Religiões da Lusitânia - Loquuntur Saxa: «O santuário romano e a defixio de Alcácer do Sal», Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa, 2002, p. 259-263.
Perde Alcácer do Sal um dos seus filhos mais ilustres; perde a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra um dos seus ex-alunos mais distintos; perde a Arqueologia nacional um dos seus membros mais activos e dedicados, sempre afável e solícito a ajudar, a disponibilizar os elementos novos que ia encontrando, numa zona - como era a sua - rica em potencial arqueológico do maior alcance.
Renovando os pêsames à família assim tão bruscamente enlutada, curvamo-nos perante a sua memória de incansável lutador, de cuja actividade muito havia a esperar.
Que descanse em paz!
José d'Encarnação
À sua esposa, Marisol Aires Ferreira, também ela arqueóloga (a trabalhar na Câmara de Grândola) e a seus dois filhos (Duarte, de 18 anos, e Susana, de 14) apresentamos as mais sentidas condolências.
A notícia deixa natural e profundamente consternada a comunidade arqueológica nacional que, em tão curto espaço de tempo, vê desaparecer do seu seio figuras que, cada uma à sua maneira, eram uma referência de renome.
João Carlos Lázaro Faria (o «João Alentejano», como era conhecido pelos seus condiscípulos e professores) nascera em Alcácer do Sal a 4 de Junho de 1960. Licenciou-se em História (variante de Arqueologia) na Faculdade de Letras de Coimbra (1985) e fez o Mestrado em Arqueologia Romana na Faculdade de Letras do Porto, em 1998, tendo aí defendido com brilhantismo a dissertação Subsídios para o Estudo da Romanização no Curso Inferior do Rio Sado.
Exerceu sempre grande actividade em prol da cultura em Alcácer do Sal, tendo ocupado, a partir de 1985, o cargo de Conservador do Museu Municipal. Nesse concelho realizou inúmeras intervenções arqueológicas, cujos resultados sempre foi publicando, nomeadamente nas páginas da revista Conimbriga.
A sua obra de vulto mais recente foi o livro Alcácer do Sal ao Tempo dos Romanos (edição conjunta da Câmara e da Colibri, Maio de 2002). Um dos achados mais importantes da sua carreira terá sido, sem dúvida, a tabella defixionis exumada durante as escavações que dirigiu no santuário de Alcácer do Sal, cujo estudo tive a honra de assinar com ele para o catálogo Religiões da Lusitânia - Loquuntur Saxa: «O santuário romano e a defixio de Alcácer do Sal», Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa, 2002, p. 259-263.
Perde Alcácer do Sal um dos seus filhos mais ilustres; perde a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra um dos seus ex-alunos mais distintos; perde a Arqueologia nacional um dos seus membros mais activos e dedicados, sempre afável e solícito a ajudar, a disponibilizar os elementos novos que ia encontrando, numa zona - como era a sua - rica em potencial arqueológico do maior alcance.
Renovando os pêsames à família assim tão bruscamente enlutada, curvamo-nos perante a sua memória de incansável lutador, de cuja actividade muito havia a esperar.
Que descanse em paz!
José d'Encarnação
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O ano de 2006 está a revelar-se um ano terrível para a Arqueologia. Soube agora do falecimento súbito do meu ex-aluno, Mestre Lázaro Faria. Lembro-me bem dele e da coragem que teve, quando foi preciso, para enfrentar nomes que se habituaram a não ser contrariados, menos ainda por arqueólogos portugueses.
Mas essas coisas, pelos vistos, pagam-se com a saúde, para não falar já de outras sequelas.
À família enlutada os meus sentidos pêsames.
Vasco Mantas
Mas essas coisas, pelos vistos, pagam-se com a saúde, para não falar já de outras sequelas.
À família enlutada os meus sentidos pêsames.
Vasco Mantas
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Soube há pouco, com muita tristeza e alguma estupefacção, do falecimento do João Faria, conhecido entre nós, estudantes de Arqueologia de Coimbra na primeira metade da década de 1980, com a carinhosa alcunha de "João Alentejano".O João sempre foi um dos mais inconformados com a situação que a Arqueologia Portuguesa vivia naqueles tempos, lutando contra tudo e contra todos para conseguir o seu pequeno mas merecido lugar ao sol, como bem refere o Prof. Vasco Mantas.À Marisol, aos seus filhos, restante família, amigos e companheiros de trabalho, apresento as minhas mais sentidas condolências, neste momento de profundo pesar.João, que a terra te seja leve!
Paulo Félix
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segunda-feira, junho 12, 2006
domingo, junho 11, 2006
Arredores de Santa Catarina de Sítimos
Vista tirada na base da torre
A torre e o seu enquadramento geográfico
Foto tirada na base junto ao canal
Idem
Foto da Torre.
A actual construção é claramente recente, de meados dos anos 50 ou 60 do século passado.
Uma visita ao local mostrou à primeira vista que o sitio envolvente não contêm vestígios arqueológicos, contudo uma tradição recolhida na aldeia de Santa Catarina, parece indicar que a actual construção foi feita com base numa torre em taipa aí existente.
Sabendo actualmente que a primeira referencia a Santa Catarina é de meados do século XIII, não nos custa pensar que a base da torre seja de origem islâmica.
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Santa Catarina Sitimos
quarta-feira, maio 24, 2006
A barragem do Pego do Altar/Alcácer do Sal
A barragem
O inicio do vale de Sítimos
O paredão da barragem
É nesta barragem que nasce a ribeira que corre sonolenta pelo vasto vale que passa ao lado da aldeia de Santa catarina de Sítimos.
Parece um pequeno paraiso que se abre no meio de um alentejo de colinas, sobreiros e pasto de tons beje e ocres, anunciando o tempo seco e quente que está a chegar.
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