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quarta-feira, julho 22, 2009
quinta-feira, junho 18, 2009
Alcácer Terra de Deusas
http://www.cm-alcacerdosal.pt/PT/Actualidade/Publicacoes/Paginas/EstudosdoGabinetedeArqueologia.aspx
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domingo, junho 14, 2009
Para uma consulta mais prática de estudos sobre Alcácer do Sal, segue este exemplo
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domingo, março 29, 2009
segunda-feira, março 16, 2009
Aspectos do Taghr de Qasr al-Fath entre 1191, até pouco depois de 1196...
Quando se estuda uma medina islâmica tão complexa como Alcácer, que tambem se comporta como base naval para a "yhiade maritima" em contexto Almoada, é fundamental entender as funções que foram atribuidas ao seu território, ao longo dos séculos, décadas, anos ou se possível, até à escala de meses.
Para nascente, este território delimitava com as áreas de influência de Évora e Beja na região do Torrão-Alvito.
Para poente, a solidão do oceano, o branco agreste da serra da Arrábida e a pressão militar Portuguesa sediada em Lisboa após 1147. desde essa data e até 1217, a fronteira será sempre móvel, ao sabor das alianças, pactos, tréguas e espionagem.
É pois natural que a presença Tardo Islâmica para sobreviver, se torne invisível ao longo das falésias, escolhendo as suas atalaias em locais estratégicos, assim como em, lapas e grutas.
É este fragmento do Mediterranico banhado pelo Atlântico, que justifica a sua inclusão na área de influência de Alcácer e que a afasta de Lisboa. Mesmo nos dias de hoje, os pescadores locais queixam-se das dificuldades em atravassarem o Cabo Espichel.
O "Mar Alcacerense Islâmico" não se resumia só ao estuário do Sado, mas tinha uma outra faceta mais ampla, que se chamava, Baia do Âmbar=actual Baia de Setúbal. Esquecer isto, contribui para não entendermos a História de Alcácer.
Ao encontro desta leitura (que para nós poderá parecer estranha), temos a fundação da base militar de Alcácer em contexto Califal/século X e o relato de cruzados que afirmam no século XII, que após dobrarem o cabo Espichel, ficava o porto de Alcácer. (o resto da costa até Silves era quase paisagem...)
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Costa da Arrábida
sexta-feira, março 06, 2009
Mais um documentário sobre a Presença Islâmica em Alcácer do Sal:
Desta vez, é uma viagem documentada através das cerâmicas islâmicas exumadas que estão nas reservas do Museu Municipal/Gabinete de Arqueologia.
http://tv1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=1115&idpod=22863&formato=wmv&pag=recentes&escolha=
http://tv1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=1115&idpod=22863&formato=wmv&pag=recentes&escolha=
sábado, dezembro 20, 2008
sexta-feira, novembro 28, 2008
Nova Publicação Municipal sobre a Presença Islâmica em Alcácer,
encontra-se desde hoje disponível para venda ao público, na Feira do Livro, que decorre na Biblioteca Municipal até ao dia 13 de Dezembro.
O lançamento oficial será dia 5 de Dezembro (Sexta-Feira) pela 17:00 na Biblioteca Municipal.
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Bibliografia
sexta-feira, outubro 24, 2008
Documentário sobre a Presença Islâmica em Alcácer do Sal
Encontra-se disponível on-line no site da RTP2, mais um documentário dedicado a Alcácer do Sal.
Desta vez referente à presença islâmica na cidade, com a Cripta Arqueológica em especial destaque.
Endereço:http://tv1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=1115&idpod=18512&formato=flv&pag=recentes&escolha=
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Documentario
quinta-feira, outubro 23, 2008
Um Breve Estudo sobre a Musalla do Torrão Disponível on-line
Encontra-se disponível no site do Municipio de Alcácer do Sal, o volume Nº 3 da colecção - Elementos para a História de Alcácer do Sal.
O tema deste numero é dedicado à análise arquitectónica, arqueológica e historiográfica de uma estrutura imponente que é denominada localmente de"muralha ".
Faz parte da cerca conventual das Clarissas do Torrão.
O estudo, fundamentado com base no autor muçulmano Ibn Idari, que viveu nos séculos XIII e XIV, permite provar que terá sido no Torrão do Alentejo que morreu em 1184 o califa almoada Abu Ya´qub Yusuf I e que imediatamente no Torrão, assumiu o poder califal (em segredo, apoiado pelos seus apoiantes politicos) o seu filho que ficará conhecido por Ya´qub b. Yusuf al-Mansur, que virá conquistar Alcácer do Sal em 1191.
Trata-se de um monumento unico no nosso país e provávelmente corresponderá a uma das maiores mesquitas a "Ceu Aberto" construidas no al-Andalus.
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sexta-feira, setembro 05, 2008
Vista de Satélite da Musalla do Torrão: Um Monumento de tamanho descomunal e"impar" no Al-Andalus.
Uma Proposta de Reconstituição com base em fotografia de satélite.
Comprimento total do muro da Qibla, 61 m (incluindo os 3,4 m da Torre do Mihrab).
A referida Torre-Mihrab encontra-se sensivelmente a meio do muro da Qibla.
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quarta-feira, setembro 03, 2008
As Musallas (Sari´a) de al-Qasr/Alcácer e de Turrus/Torrão
O trabalho vai ser publicado na revista Neptuno nº 14, entretanto encontra-se disponível em:
http://alcacer-islamica.blogspot.com/search/label/Musalla
Uma versão mais desenvolvida será posta no site do Município em breve.
sábado, agosto 30, 2008
sexta-feira, julho 25, 2008
A Fronteira Norte do Território Alcacerense em contexto Almorávida: A Sierra de Gredos.
Imagem retirado do youpath.blogspot. (Área proxima do Pico Almansor)
Al Idrisi, quando no século XII, descreve o espaço administrativo de al-Qasr, apresenta a listagem das cidades que obedeciam a Alcácer (Badajoz, Coria, Alcantara, Cáceres, etc), indicando laconicamente, que a fronteira Norte confinava com o Reino de Leão, na área serrana da Sierra de Gredos.
Desconhecemos se o limite incluia o Pico Al- Mansur, (Nome em honra de Ibn Amir al-Mansur, que escolheu Alcácer para Base Naval em contexto Califal). O Pico, encontra-se sempre coroado de neve a mais de 2 300 m de altitude.
As fronteiras procuram sempre marcos simbólicos na paisagem, por isso não é descabido propor este pico na linha de fronteira incluido em território alcacerense.
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quarta-feira, junho 25, 2008
segunda-feira, junho 23, 2008
A ESCRITA DA HISTÓRIA DE ALCÁCER EM CONTEXTO ISLÂMICO:
Uma Questão de Metodologia.
Um anónimo questionou-nos porque razão temos privilegiado o estudo de Alcácer em contexto Almóada, que só durou 26 anos, em contraste com uma presença islâmica que teve início em meados de VIII?
Trata-se de uma questão interessante, que merece uma reflexão.
Um anónimo questionou-nos porque razão temos privilegiado o estudo de Alcácer em contexto Almóada, que só durou 26 anos, em contraste com uma presença islâmica que teve início em meados de VIII?
Trata-se de uma questão interessante, que merece uma reflexão.
A questão posta desta forma, parece sugerir que para nós, os 26 anos de presença Almoada em Alcácer terão sido mais importantes que a restante presença islâmica de mais de 4 séculos, subdividida em Pré-emiral, Emiral, Califal, I Taifas, e Almorávida!
Queremos afirmar que para nós são muito importantes esses 449 anos de presença islâmica nesta cidade; - se tomarmos como referência o seu início em 711 (como referência) e o seu término em 1160 (1ª Conquista Portuguesa).
Ou seja, os 26 anos de presença Magrebina em Alcácer não são mais importantes que os 449 anos ulteriores. Todas as fases são fundamentais para compreender a História desta cidade.
Queremos afirmar que para nós são muito importantes esses 449 anos de presença islâmica nesta cidade; - se tomarmos como referência o seu início em 711 (como referência) e o seu término em 1160 (1ª Conquista Portuguesa).
Ou seja, os 26 anos de presença Magrebina em Alcácer não são mais importantes que os 449 anos ulteriores. Todas as fases são fundamentais para compreender a História desta cidade.
Assim sendo, porque razão persiste esta produção historiográfica tão desigual, até este momento?
O que está em causa é unicamente uma questão de metodologia de trabalho, que efectua uma gestão e análise da documentação disponível, que chegou até aos nossos dias, tendo como base unicamente a cidade de Alcácer.
O que pretendemos não é escrever a História do Garb al-Andalus. O que procuramos é investigar a História de Alcácer e da sua região mais próxima, seja em que contexto for; - romano, bárbaro, islâmico, moderno, etc.
O que está em causa é unicamente uma questão de metodologia de trabalho, que efectua uma gestão e análise da documentação disponível, que chegou até aos nossos dias, tendo como base unicamente a cidade de Alcácer.
O que pretendemos não é escrever a História do Garb al-Andalus. O que procuramos é investigar a História de Alcácer e da sua região mais próxima, seja em que contexto for; - romano, bárbaro, islâmico, moderno, etc.
Sabemos que o desafio é complexo. Que falta um longo caminho a percorrer, seja ele no domínio da arqueologia ou da historiografia.
O que queremos evitar é tirar conclusões precipitadas e simplistas em relação a esta medina.
Tomemos como exemplo algumas das ideias básicas sobre Alcácer anteriores a 1993, anos em que em conjunto com João Carlos Faria e Cavaleiro Paixão começamos o nosso trabalho de investigação.
Na impossibilidade de referir todos os autores, vou só referir alguns.
Segundo José Garcia Domingues, escrito em 1960 (sic):[1]:
Al-Qasr Abu Danis – Al-Qasr al-Fath (Alcácer do Sal)
Alcácer, na zona da velha Salacia, teve na época dos árabes, os nomes de Al-Qasr Abu Danis e Al-Qasr Al-Fath (o Castelo de Abu Danis, o Castelo da Vitória)
Era conhecida pelo nome de Abu Danis, porquanto, no fim da revolta dos muladis, o Califa ´Abd Ar-Rahman III a entregou a um tal Yahia Ibn Abi Danis, ao mesmo tempo que entregava o castelo da montanha próxima a um irmão deste, ´Abd Allah Ibn ´Umar Ibn Abi Danis.
Mais tarde, a designação de Al-Fath parece ter provindo da memorável vitória que aí obteve o Califa almóada Ya´qub, que a arrancou aos portugueses.
Alcácer tinha os campos em volta cobertos de pinheiros. Nas suas terras havia muito gado e, consequentemente, carne e leite. Junto ao rio estavam activos os estaleiros. Era um centro comercial de primeira ordem.
Entre Alcácer e Lisboa ficavam dois castelos: o de Balmalla (Palmela) e o de Almada. Já então devia existir o castelo De Sesimbra, tomado por D. Afonso Henriques.
(Comentário – Tendo em conta o acesso que este historiador, ainda hoje importante, teve a obras de importantes autores muçulmanos medievais, poderia ter inserido mais dados, nomeadamente os elementos fornecidos por al-Idrisi, que não se encontram inseridos neste seu texto. O seu interesse parece concentrar-se em Lisboa, Santarém e Algarve. Lamentamos que ele não tenha dedicado parte da sua investigação a Alcácer, como fez para Lisboa, Silves, Loulé ou Tavira)
De 1960 e até à década de 80 do século passado, pouco ou nada foi escrito sobre Alcácer em contexto islâmico.
Em 1992, Santiago Macias[2] afirmava num texto sobre a evolução política no Ġarb al-Andalus, que Alcácer do Sal nunca terá sido sede de território autónomo, estando debaixo da influência de Lisboa , Beja ou de Évora.
Contudo, num texto mais recente, editado em 2007, referente à sua tese de doutoramento sobre Mértola,( Mértola, o último porto do Mediterrâneo) evolui as suas análises em relação a Alcácer:
O que queremos evitar é tirar conclusões precipitadas e simplistas em relação a esta medina.
Tomemos como exemplo algumas das ideias básicas sobre Alcácer anteriores a 1993, anos em que em conjunto com João Carlos Faria e Cavaleiro Paixão começamos o nosso trabalho de investigação.
Na impossibilidade de referir todos os autores, vou só referir alguns.
Segundo José Garcia Domingues, escrito em 1960 (sic):[1]:
Al-Qasr Abu Danis – Al-Qasr al-Fath (Alcácer do Sal)
Alcácer, na zona da velha Salacia, teve na época dos árabes, os nomes de Al-Qasr Abu Danis e Al-Qasr Al-Fath (o Castelo de Abu Danis, o Castelo da Vitória)
Era conhecida pelo nome de Abu Danis, porquanto, no fim da revolta dos muladis, o Califa ´Abd Ar-Rahman III a entregou a um tal Yahia Ibn Abi Danis, ao mesmo tempo que entregava o castelo da montanha próxima a um irmão deste, ´Abd Allah Ibn ´Umar Ibn Abi Danis.
Mais tarde, a designação de Al-Fath parece ter provindo da memorável vitória que aí obteve o Califa almóada Ya´qub, que a arrancou aos portugueses.
Alcácer tinha os campos em volta cobertos de pinheiros. Nas suas terras havia muito gado e, consequentemente, carne e leite. Junto ao rio estavam activos os estaleiros. Era um centro comercial de primeira ordem.
Entre Alcácer e Lisboa ficavam dois castelos: o de Balmalla (Palmela) e o de Almada. Já então devia existir o castelo De Sesimbra, tomado por D. Afonso Henriques.
(Comentário – Tendo em conta o acesso que este historiador, ainda hoje importante, teve a obras de importantes autores muçulmanos medievais, poderia ter inserido mais dados, nomeadamente os elementos fornecidos por al-Idrisi, que não se encontram inseridos neste seu texto. O seu interesse parece concentrar-se em Lisboa, Santarém e Algarve. Lamentamos que ele não tenha dedicado parte da sua investigação a Alcácer, como fez para Lisboa, Silves, Loulé ou Tavira)
De 1960 e até à década de 80 do século passado, pouco ou nada foi escrito sobre Alcácer em contexto islâmico.
Em 1992, Santiago Macias[2] afirmava num texto sobre a evolução política no Ġarb al-Andalus, que Alcácer do Sal nunca terá sido sede de território autónomo, estando debaixo da influência de Lisboa , Beja ou de Évora.
Contudo, num texto mais recente, editado em 2007, referente à sua tese de doutoramento sobre Mértola,( Mértola, o último porto do Mediterrâneo) evolui as suas análises em relação a Alcácer:
- Considera Alcácer (p. 54, Vol I) uma cidade em contexto emiral, ao lado de Lisboa, Badajoz, Évora e Silves.
- Curiosamente, evita reflectir muito sobre Alcácer, privilegiando a análise do eixo, Silves, Beja Évora, Mértola, saltando por vezes até Lisboa e Santarém.
- Em relação a Alcácer (ob. Cit. P. 67), reconhece que esta cidade em contexto Waziri (SIC) “...na prática constitui a chave tanto para o vale do Sado, o rio de Alcácer, que conduz à Serra do Algarve e a Silves e para a vasta peneplanície de Beja e para o acesso a Sevilha”.
- Frisa que Alcácer do Sal é um território autónomo, entre Lisboa e Beja, que inclui a serra da Arrábida e Palmela no seu espaço, contudo prefere não adiantar muito mais. (Ob. Cit., p. 77).
Curiosamente, são alguns investigadores estrangeiros, aqueles que reconhecem a importância a Alcácer em contexto islâmico, nomeadamente:
- Adel Sidaros[3], Abdallah Khawli[4] e Christophe Picard[5].
Contudo, a persistência da ideia que Alcácer é uma fundação islâmica sobre um sítio abandonado podemos ler em alguns trabalhos de outros autores, que não se encontram actualizados em relação aos últimos contributos[6].
Até ao ano de 2000, a História dos 500 anos de presença islâmica em Alcácer resumiam-se a poucas páginas.
Em síntese, afirmava-se sempre as mesmas leituras que já vinham “grosso modo” do tempo de Alexandre Herculano (Século XIX), ou seja:
- Que estávamos perante uma fundação islâmica sobre um local abandonado. Que tinha sido fundada pelos Banū Danīs em finais do século IX. Em 997 serviu de base naval do Califado às ordens de Ibn Āmir para o ataque à Galiza. Frisava-se que nunca tinha sido sede de Taifa, mas reconhecia-se que era detentora de um território para efeitos administrativos. Depois saltava-se para 1158 ou 1160, ano da 1ª Conquista Portuguesa, 1191 para a recuperação islâmica e 1217 para a conquista definitiva.
Em 2004, com a publicação da nossa breve monografia sobre Alcácer Islâmica[7], o panorama começou a mudar.
Notamos neste momento, por parte de outros investigadores uma maior prudência em relação ao papel de al-Qaṣr, reconhecendo que esta medina foi centro de um território, sendo actor activo da evolução histórica no âmbito específico do Garb, mas também detentora de alguma projecção no Andalus.
Por estes motivos (a evolução desta medina islâmica, de actor meramente passivo, destituido de autonomia, para um papel de liderança no Garb), autoriza-nos a avançar com cuidado nas nossas análises, de forma a evitar conclusões precipitadas.
Por este motivo, achamos adequado em termos de metodologia, investigar os períodos que tem fornecido mais documentação, seja ela de natureza arqueológica ou historiográfica.
É esta a explicação pela nossa opção estratégica, pela Fase Almóada.
Outras fases ulteriores serão abordadas, desde que os elementos disponíveis sejam os adequados para uma análise histórica.
Em jeito de conclusão, desejamos que fique expresso que apesar de o Período Almóada ser interessante, vamos começar a abordar outras fases da História Islâmica desta cidade.
Se em contexto Almóada ou Almorávida, o nosso espaço preveligiado de análise encontra-se no Norte de África, em contexto Emiral e Califal, somos obrigados a olhar para o Próximo Oriente e para as estruturas Imperiais Bizantinas e Sassânidas.
Deste modo chegados a um interessante paradoxo em relação a Alcácer, nos primórdios da ocupação islâmica:
É esta a explicação pela nossa opção estratégica, pela Fase Almóada.
Outras fases ulteriores serão abordadas, desde que os elementos disponíveis sejam os adequados para uma análise histórica.
Em jeito de conclusão, desejamos que fique expresso que apesar de o Período Almóada ser interessante, vamos começar a abordar outras fases da História Islâmica desta cidade.
Se em contexto Almóada ou Almorávida, o nosso espaço preveligiado de análise encontra-se no Norte de África, em contexto Emiral e Califal, somos obrigados a olhar para o Próximo Oriente e para as estruturas Imperiais Bizantinas e Sassânidas.
Deste modo chegados a um interessante paradoxo em relação a Alcácer, nos primórdios da ocupação islâmica:
- Segundo os dados disponíveis, terá sido uma praça-forte de cultura árabe em território moçárabe, que se vai culturalmente (ao nível da elites) tornar-se Berbere Masmuda...
São estas as questões que temos que analisar.
São estas as questões que temos que analisar.
Inexplicávelmente, a História de Alcácer em contexto islâmico tem estado na sombra, não recebendo muita atenção por parte de outros investigadores.
Actualmente o panorama começa a mudar. Começa a existir muita curiosidade sobre esta medina islâmica, que após a conquista definitiva, foi escolhida para Sede do Ramo Português da Ordem de Santiago.
Porque razão foi escolhida Alcácer em vez de Palmela, ou outra terra para sede, não sabemos mas podemos avançar algumas hipoteses. Talvez a chave esteja no pensamento deste apóstolo, analisado à luz da época. Como tenho referido mais que uma vez, a religião faz parte do quotidiano e em termos de metáfora"come à mesa". Por isso é fundamental ler o Corão (as suras, as escolas, etc) e a Biblia, para entender melhor este Periodo.
A titulo de exemplo, apresento de modo aleatório, dois pensamentos, um cristão e outro islâmico:
Tiago 4:14 - No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã. O que é a vossa vida? Sois uma neblina que aparece por um pouco, e logo se desvanece.
Ibn ´Arabi (Tradução livre retirado da obra Futuhat) - "... a escrita é o abraço (damm) de uma ideia (ma´nà) com outra, o qual só se produz quando as ideias são depositadas em letras e palavras (...). O abraço entre as letras chama-se escrita. Se os esposos não se unem, não fazem amor (nikat), e fazer amor é escrita (wa-l-nikat kitaba). Todo o mundo é um livro escrito porque está ordenado em páginas que se unem umas com as outras, e as lombadas unem-se em todas as situações. Isto se complementa com a aparição perene de essencias, e não existe creador de nada até que ama crear essa coisa. Todo o que existe é por ter sido amado, e só os que terão amado existem..."
_________________________________________________
[1] O Garb Extremo do Ândalus e “Bortuqal” nos Historiadores e Geógrafos Árabes, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Junho-Dezembro, 1960 (In Portugal e o Al-Andalus nº 2, Estudos Árabes, p. 101, Ed. Hugin, 1997)
[2] Santiago Macias (1992). Resenha dos Factos Políticos. História de Portugal, dir. José Mattoso, Vol. I, coordenado por José Mattoso, Lisboa, Círculo dos Leitores, p. 417-429.
[3] (1988-1993)“Um texto árabe do século X relativo à nova fundação de Évora e aos movimentos muladi e berbere no Ocidente Peninsular, A Cidade de Évora, XLV-L/71-76, p. 7-37.
[4] Deve-se a este investigador, a renovação que estamos a fazer sobre a história de Alcácer em Contexto Islâmico. Khawli (2001). Le Garb al-Andalus à l´Époque dês Secondes Taifas (539-552/1144-1157), Revista Arqueologia Medieval Nº Actas do Colóquio “ Lisboa – Encruzilhada de Cristãos, Judeus e Muçulmanos “, 1997. Arqueologia Medieval, nº 7, p.23-35, Porto.
[5] Em relação a este investigador francês, notamos uma evolução em relação a Alcácer. De uma postura inicial de só aceitar uma leitura directa dos textos islâmicos, sugerindo que Alcácer tinha sido fundada pelos Banū Danīs em finais do século IX, em trabalhos mais recentes já aceita uma presença islâmica anterior, que poderá ser a continuação do povoado desde a Antiguidade Tardia, seguindo as nossas leituras, com base na arqueologia. Podemos referir os seguintes trabalhos: (2000) Le Portugal Musulman (VIII-XIII Siecle). Ed. Maisonneuve & Larose. E mais recentemente (2005) Le changement du paysage urbain dans de Gharb al-Andalus (X-XIIe siécle): Les signes d´une dynamique. Actas Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo e o Douro (Sécs. VIII a XIII). Coordenação Mário Barroca e Isabel Cristina Fernandes.
[6] A titulo de exemplo. Alain Ducellier, Michel Kaplan e Bernadette Martin (1994) A Idade Média no Oriente. Ed. D. Quixote, p. 206. (SIC) “ ...Na Andaluzia, as cidades muçulmanas são as antigas urbes. As duas únicas verdadeiras fundações são Almeria, um arsenal no litoral Mediterrânico, e al-Qasr, voltada para o Atlântico.”
[7] CARVALHO, A Rafael; FARIA, João Carlos e FERREIRA, Marisol Aires, (2004) ALCÁCER DO SAL ISLÂMICA: Arqueologia e História de uma Medina do Garb al-Andalus (séculos VIII-XIII). Ed. C. M. Alcácer do Sal e IPM. A segunda edição encontra-se no prelo e sairá ainda este ano em data a anunciar.
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terça-feira, junho 17, 2008
PIMEL 2008: Debate sobre a Primeira Conquista de Alcácer aos Muçulmanos
Para apoio ao debate do dia 21 de Junho, a partir das 17:00 e até às 20:00, referente ao Tema: - 850 anos da Conquista de Alcácer do Sal por D. Afonso Henriques, encontra-se disponível no site do Municipio de Alcácer do Sal um texto em PDF sobre esta temática.
Os comentários ao trabalho podem ser deixados neste Blog.
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segunda-feira, junho 16, 2008
Jogar Xadrez, à 8 Séculos atrás!
É provável que o xadrez fosse praticado em al-Qasr/Alcácer, contudo faltam-nos provas arqueológicas seguras.
Segundo as iluminuras apresentadas, o jogo seria praticado pelas elites e quase sempre por homens, pelo menos em contexto islâmico. (Livro do Xadrez..., de Afonso X, século XIII, Biblioteca do Escorial)
Em termos de documentação arqueológica, o jogo que deixou mais vestígios em Alcácer, corresponde ao denominado "Alquerque de Nove". Jogo de origem romana e que ainda hoje é praticado. Possui variadas denominações, nomeadamente como o "Jogo do Moinho".
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segunda-feira, junho 02, 2008
Estudos Recentes Sobre Alcácer do Sal: Contexto Islâmico
Em actualização, 2008
(1) CARVALHO, A Rafael e FARIA, J. Carlos. (1993) CERÂMICAS MUÇULMANAS DO MUSEU MUNICIPAL DE ALCÁCER DO SAL. Arqueologia Medieval, Nº 3, pp. 101-111. Porto.
(2) CARVALHO, A Rafael e FARIA, J. Carlos. (2001) FRAGMENTO DE UM TABULEIRO DE “ ALQUERQUE DE NOVE “, PROVENIENTE DO CASTELO DE ALCÁCER DO SAL. (2001) Arqueologia Medieval. Nº 7, pp. 211-215.
(3) CARVALHO, A Rafael; FARIA, João Carlos e FERREIRA, Marisol Aires, (2004) ALCÁCER DO SAL ISLÂMICA: Arqueologia e História de uma Medina do Garb al-Andalus (séculos VIII-XIII). Ed. C. M. Alcácer do Sal e IPM.
(4) CARVALHO, A Rafael; FARIA, João Carlos e FERREIRA, Marisol Aires, (2008) (Al-Qasr) ALCÁCER DO SAL: Arqueologia e História de uma Madina do Garb al-Andalus (séculos VIII-XIII). 2ª Edição. Ed. C. M. Alcácer do Sal (prelo).
(5) CARVALHO, A Rafael (2004) ALGUNS ASPECTOS DE ALCÁCER NO FINAL DO PERÍODO MUÇULMANO. Neptuno, nº 2, páginas 5-6. ADPA.
(6) CARVALHO, A Rafael (2005) ALCÁCER DO SAL ENTRE 1191 E 1217 (I PARTE). Neptuno, nº 3, página. ADPA.
(7) CARVALHO, A Rafael (2005) ALCÁCER DO SAL ENTRE 1191 E 1217 (II PARTE): O Papel do Hisn Turrus/Castelo do Torrão, no sistema defensivo Alcacerense. Neptuno, nº 5, página 5 - 7. ADPA.
(8) CARVALHO, A Rafael (2005) ALCÁCER DO SAL ENTRE 1191 E 1217: Os dias em que al-Qasr al-Fath foi sede do império Almóada. Neptuno, nº 6, página 12 - 13. ADPA.
(9) CARVALHO, A Rafael (2005) FRAGMENTOS DE MINIATURAS EM CERÂMICA PROVENIENTES DO PALÁCIO ALMÓADA DE ALCÁCER. Al Madan nº 13, Centro de Arqueologia de Almada, páginas 148.
(10) CARVALHO, A Rafael (2006) O SANTUÁRIO DO SENHOR DOS MÁRTIRES EM CONTEXTO ISLÂMICO: Alguns elementos para o seu estudo. Neptuno, nº 7, página 4 - 6 ADPA.
(11) CARVALHO, A Rafael (2006) A REPRESENTAÇÃO ICONOGRÁFICA DO SENHOR DOS MÁRTIRES E ALCÁCER DO SAL NO SÉCULO XIII. Neptuno, nº 8, página 6-9 ADPA.
(12) CARVALHO, A Rafael (2006) CERÂMICA DO PERÍODO ZIRIADA EXUMADA NO CASTELO DE ALCÁCER DO SAL: Elementos para o seu estudo. Al Madan nº 14, Centro de Arqueologia de Almada, páginas 152-153.
(13) CARVALHO, A Rafael (2006) UM DIRHAM ALMÓADA ENCONTRADO EM ALCÁCER DO SAL: Elementos para o seu estudo http://alcacer-islamica.blogspot.com/search/label/Qasr%20al-Fath (Consultado em 08-06-2007)
(14) CARVALHO, A Rafael (2006) FRAGMENTO DE JARRA ESGRAFITADA DE TÉCNICA MISTA, ENCONTRADA EM ALCÁCER. http://arqueoalcacer.blogspot.com/2006/08/fragmento-de-jarra-esgrafitada-de.html
(15) CARVALHO, A Rafael (2007) UM OLHAR SOBRE AS ORIGENS DE PALMA/ALCÁCER DO SAL. Neptuno, nº 1O, páginas 2-5. ADPA.
(16) CARVALHO, A Rafael (2007) O BAIXO SADO, DA ANTIGUIDADE TARDIA ATÉ À FASE EMIRAL: Algumas reflexões sobre continuidades e rupturas. Subsídios para o estudo da História Local. Vol. 3, Anos 2004 e 2005. Páginas 303-318, Ed. Câmara Municipal de Setúbal e Rede Portuguesa de Museus.
(17) CARVALHO, A Rafael (2007) A TORRE MEDIEVAL DE SANTA CATARINA DE SÍTIMOS: Elementos para o Estudo do Sistema Defensivo de Alcácer do Sal em Contexto Almóada.
(18) CARVALHO, A Rafael (2007) AL QASR: A Alcácer do Sal Islâmica. Roteiro – Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal. Edição IPPAR , pp. 43-56.
(19) CARVALHO, A Rafael (2007) ALCÁCER: Alcácer do Sal Medieval e Cristã. Roteiro – Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal. Edição IPPAR , pp. 57-68.
(20) CARVALHO, A Rafael (2008). A MULHER ALCACERENSE: Em contexto Islâmico Tardio (Séculos XI-XIII). Alcácer Terra de Deusas. Edição on-Line. Municipio de Alcácer do Sal.http://www.cm-alcacerdosal.pt/PT/Actualidade/Publicacoes/Paginas/EstudosdoGabinetedeArqueologia.aspx pp. 29-37.
(21) CARVALHO, A Rafael (2008) ASPECTOS DO QUOTIDIANO EM ALCÁCER, EM CONTEXTO ISLÂMICO, Neptuno 13 (Prelo)
(22) CARVALHO, A Rafael (2008) ALCÁCER NO FINAL DO PERIODO ISLÂMICO (SÉCULOS XII-XIII): Novos Elementos sobre a 1ª Conquista Portuguesa. Col Digital - Elementos para a História de Alcácer Nº 1. Edição Município de Alcácer do Sal. http://www.cm-alcacerdosal.pt/PT/Actualidade/Publicacoes/Paginas/EstudosdoGabinetedeArqueologia.aspx
(23) PAIXÃO, A Cavaleiro; FARIA, J. Carlos e CARVALHO, A Rafael. (1994) O CASTELO DE ALCÁCER DO SAL: Um projecto de Arqueologia Urbana. Actas do II Encontro de Arqueologia Urbana/ Braga, pp. 215-264.
(24) PAIXÃO, A Cavaleiro; FARIA, J: Carlos e CARVALHO, A Rafael. (2001) CONTRIBUTO PARA O ESTUDO DA OCUPAÇÃO MUÇULMANA NO CASTELO DE ALCÁCER DO SAL: O Convento de Aracoelli. Actas do Colóquio “ Lisboa – Encruzilhada de Cristãos, Judeus e Muçulmanos “, 1997. Arqueologia Medieval Nº 7, pp. 197-209.
(25) PAIXÃO, A Cavaleiro e CARVALHO, A Rafael, (2001) CERÂMICAS ALMÓADAS DE al-Qasr al-Fath. Actas do Encontro sobre Cerâmicas Muçulmanas do Garb al-Andalus. Ed. IPPAR e da Junta de Estremadura, pp. 198-229.
(26) PAIXÃO, A Cavaleiro; FARIA, J. Carlos e CARVALHO, A Rafael, (2002) ASPECTOS DA PRESENÇA ALMÓADA EM ALCÁCER (PORTUGAL) Mil anos de Fortificações na Península Ibérica e no Magreb. (500-1500): Actas do Simpósio Internacional sobre Castelos – Palmela. pp. 369-383, Colibri e C M Palmela.
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